A lua está indo embora. Provavelmente.

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Eu adoro olhar para isso. Familiar? Claro. Mas também estranho. Essas manchas escuras não são sombras. São cicatrizes de impactos ocorridos há bilhões de anos. Feridas antigas congeladas no tempo.

O que acontece a seguir? Num futuro profundo e distante.

Depende de como a lua chegou aqui. E para onde vamos a partir daqui. O sol tem a palavra final.

Nascido do Caos

Nós conhecemos a história. Está bem documentado no disco de rock. Não muito depois da formação da Terra, algo enorme nos atingiu. Um objeto do tamanho de um planeta. Um golpe de raspão. Não esmagou a Terra. Ele derrubou pedaços de entulho. Uma mistura de nós e do atacante. Esses detritos se aglomeraram. A lua.

Naquela época. A lua estava próxima. Muito perto. Cerca de 20.000 km de distância. Metade da sua distância atual. Teria parecido enorme. Aproximadamente 10 graus de diâmetro. É como segurar o punho estendido contra o céu. Intimidador. Brilhante.

Mas a gravidade não permite que você fique parado.

A fechadura das marés

Terra puxada. Duro. Marés. Não apenas água. Marés na rocha. O lado da lua voltado para nós é puxado com mais força do que o outro lado. Ele estica o satélite. Formas sutis de ovo. Protuberâncias.

A lua estava girando rapidamente. A inércia manteve essas protuberâncias à frente da linha reta para a Terra. A Terra agarrou a protuberância. Arrancou de volta. Rotação lenta. Dias longos. Energia transferida. Aceleração orbital. A distância aumenta.

Rápido no início. Depois mais devagar. Eventualmente? A rotação corresponde à órbita. Um rosto apenas. Vemos o mesmo lado hoje porque a lua esqueceu como girar mais rápido do que viaja ao nosso redor.

O bloqueio das marés não é um estado final. É apenas uma pausa na conversa entre gravidade e impulso.

A Terra também recebe marés. A lua puxa nossos oceanos. Nosso giro varre a protuberância do oceano à frente da lua. A lua recua. Atrito. A Terra desacelera. Os dias ficam mais longos. Dois milissegundos por século. Você não precisará de ajuste de despertador. Ainda.

Mas esse retrocesso ajuda a lua a se afastar. Quatro centímetros por ano. Estável. Quieto. Inevitável.

O ponto de ebulição

Então. Matemática simples, certo? A lua continua recuando. Cada vez mais devagar. Até que a Terra pare de girar em relação à lua. Bloqueio de maré entre planeta e satélite. Chega de nascer ou pôr-se para a lua. Apenas um companheiro congelado no céu.

Se vivêssemos tanto tempo.

Provavelmente não o faremos.

Os oceanos fazem isso funcionar. A água absorve energia. Escorrega por aí. Cria atrito. Sem água. Sem atrito. O processo para.

E os oceanos? Perdido. Em um bilhão de anos.

O sol está envelhecendo. Ficando mais brilhante. A fusão cria cinzas de hélio. Ash se acumula. A pressão aumenta. A temperatura aumenta. A luz se intensifica. A Terra aquece. A água ferve. Uma rocha estéril.

A ausência de oceanos significa que a Lua deixa de se afastar de forma eficiente. A escala de tempo se estende. Mais bilhões de anos necessários para o bloqueio das marés. Tempo que não temos.

O Fim do Sol

Seis ou sete bilhões de anos daqui para frente. O sol fica sem combustível. Colapso do núcleo. Incha. Uma gigante vermelha.

Comerá a Terra? Os cientistas discutem. Isso pouco importa. Nós queimamos de qualquer maneira. Cozido. Seco. O destino da lua é a última coisa em que pensamos quando nossa atmosfera entra em ignição.

Mais tarde. Muito mais tarde. O sol muda de pele. Metade da sua massa desaparece. O que resta? Uma anã branca. Pequeno. Denso. Resfriando lentamente ao longo de eras.

A história termina? Não. O sol também cria marés. Neste momento, têm metade da força das marés da lua. Mais tarde? Física complexa. A massa é menor. As marés são mais fracas. Mas o tempo é infinito. Ou perto disso.

As marés da anã branca podem desestabilizar tudo. A lua poderia se libertar. Ou colidir com a Terra.

Isso importa? Nós partimos. A Terra é uma casca grelhada. O céu está escuro, exceto por uma estrela desbotada.

Qual resultado acontece? Quem sabe. Dezenas de bilhões de anos de distância. Um tique-taque em um relógio que nunca vai acabar.

Olhe para cima esta noite. Apreciá-lo.