Tesouro de moedas Viking quase recorde descoberto no leste da Noruega

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Arqueólogos confirmaram a descoberta de um enorme tesouro de moedas da Era Viking no leste da Noruega, potencialmente marcando a maior descoberta desse tipo na história. O esconderijo, composto por quase 3.000 moedas de prata, foi descoberto por dois detectores de metais perto de Rena, na região de Østerdalen. Embora a contagem inicial seja de aproximadamente 3.000 peças, a busca continua e os especialistas acreditam que o número total pode aumentar à medida que a escavação continua.

Uma janela para as redes comerciais Viking

O significado desta descoberta vai além do seu grande volume. As moedas datam das décadas de 980 a 1040, um período que representa o apogeu do poder Viking e da influência internacional. Notavelmente, o tesouro é composto predominantemente por moeda estrangeira, com moedas cunhadas na Inglaterra, Alemanha, Dinamarca e Noruega.

Esta composição oferece uma visão crucial da paisagem económica da Escandinávia medieval. Antes do estabelecimento de uma moeda nacional unificada, as moedas estrangeiras dominavam o comércio e as transações diárias. A presença destas diversas casas da moeda sublinha as extensas redes marítimas que os Vikings mantinham, ligando a Escandinávia à Grã-Bretanha, à Islândia e até mesmo a partes da Europa continental e das Américas.

“A cunhagem estrangeira domina a circulação de dinheiro na Noruega até que Harald Hardrada (1046-1066) estabeleceu uma cunhagem nacional”, explicou Svein Gullbekk, arqueólogo da Universidade de Oslo.

Momento e contexto econômico

O tesouro foi enterrado em um momento histórico crucial. Data do início da transição de um sistema monetário fragmentado e dominado pelo estrangeiro para um sistema nacional centralizado sob o rei Harald III (Hardrada). Quando Hardrada assumiu o trono em 1046, iniciou a produção de moedas cunhadas norueguesas, que gradualmente substituíram a moeda estrangeira em circulação. Este tesouro, portanto, captura a economia em fluxo, no momento em que a Noruega começou a afirmar uma maior independência fiscal.

Os especialistas também suspeitam de uma ligação direta entre o tesouro e a robusta história industrial da região. Dos anos 900 até o final dos anos 1200, a área de Østerdalen foi um importante centro de produção de ferro. O minério foi extraído de pântanos locais e processado para exportação para toda a Europa. A riqueza gerada por esta indústria provavelmente facilitou a acumulação de uma quantidade tão significativa de prata, sugerindo que o tesouro pode ter sido armazenado por comerciantes ou funcionários envolvidos no comércio de ferro.

Um Evento Arqueológico Raro

Para a comunidade arqueológica, esta descoberta não tem precedentes nos tempos modernos. A última vez que um tesouro de tamanho comparável foi encontrado na Noruega foi em 1950. A arqueóloga local May-Tove Smiseth descreveu a descoberta como uma “descoberta verdadeiramente única”, observando que testemunhar tal evento é um raro privilégio profissional e pessoal.

À medida que as escavações continuam, os investigadores pretendem determinar a extensão total do tesouro e descobrir as circunstâncias específicas por detrás do seu enterro. Quer esteja escondido durante um período de conflito, guardado em segurança ou como parte de um depósito ritual, o tesouro proporciona uma ligação tangível a uma era vibrante da história escandinava.


Em resumo, este tesouro quase recorde não só destaca a riqueza da Era Viking, mas também ilumina a transição crítica em direção a uma economia norueguesa unificada e o papel central da região no comércio europeu de ferro.