Um novo estudo publicado na Nature Communications sugere que o número de filhos que uma pessoa tem – ou não tem – pode influenciar significativamente o seu processo de envelhecimento e a sua longevidade. Os investigadores analisaram dados históricos de mais de 14.000 mulheres finlandesas e descobriram que tanto ter cinco ou mais filhos como permanecer sem filhos estão associados a um envelhecimento mais rápido em comparação com aquelas que tiveram entre um e quatro filhos.
Biologia Evolutiva e Reprodução
Esta descoberta está alinhada com a “teoria do soma descartável”, um conceito central na biologia evolutiva. Esta teoria postula que os organismos alocam recursos limitados entre crescimento, reprodução e manutenção. Investir pesadamente na reprodução pode reduzir os recursos disponíveis para a manutenção do corpo, incluindo a reparação do DNA. A principal autora do estudo, Mikaela Hukkanen, da Universidade de Helsínquia, observa a natureza lógica deste compromisso.
Descobertas inesperadas: o impacto da falta de filhos
Curiosamente, a investigação também revelou que as mulheres que nunca tiveram filhos envelheceram mais rapidamente e tiveram uma esperança de vida mais curta. Embora aparentemente contraintuitiva, esta observação é consistente com padrões emergentes na investigação sobre o envelhecimento. Isto pode estar ligado à ausência de certos benefícios de saúde associados à gravidez (como a redução do risco de cancro) e a potenciais factores sociais ou de saúde que influenciam a falta de filhos nas gerações passadas.
O contexto histórico é importante
A população do estudo – mulheres nascidas entre 1880 e 1957 na Finlândia – viveu períodos de guerra e convulsão social, o que provavelmente teve impacto na sua saúde e nas suas escolhas reprodutivas. A falta de filhos era menos comum durante esse período, o que significava potencialmente que aqueles que não tinham filhos enfrentavam problemas de saúde subjacentes que também aceleravam o envelhecimento.
Implicações modernas e pesquisas futuras
Os investigadores enfatizam que estas descobertas são observacionais e não ditam as escolhas reprodutivas hoje. O estudo destaca associações, não prescrições. No entanto, os avanços na investigação sobre o envelhecimento biológico permitem agora uma avaliação mais rápida do impacto da gravidez, abrindo potencialmente portas a intervenções.
Em última análise, este estudo sublinha a intrincada interação entre reprodução, envelhecimento e longevidade, mas não fornece um roteiro claro para decisões reprodutivas individuais.
As conclusões apontam para a necessidade de investigação contínua sobre como os cuidados de saúde modernos, as condições sociais e as tecnologias reprodutivas influenciam estes processos biológicos.





















